8 de março: Dia Internacional da Mulher

No dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, o SIMESC parabeniza todas as médicas catarinenses, em especial as diretoras do Sindicato que além de suas vidas profissionais e particulares, se dedicam em representar as médicas de todo o Estado em busca de melhorias para a medicina e saúde.

Nesta data de reflexão sobre as lutas femininas, o Sindicato dos Médicos resgata a história de Maria Augusta Generoso Estrela, a primeira médica brasileira. Nascida em abril de 1860, no Rio de Janeiro, Maria Augusta recebeu seu diploma de médica em 1881, no New York Medical College and Hospital for Women.

O envolvimento com a medicina iniciou quando Maria Augusta tinha 13 anos. No retorno de uma temporada de estudos em Portugal, o navio que viajava chocou-se com outro. A jovem teve dedicado envolvimento com o salvamento da tripulação e passageiros do navio avariado. O fato teve repercussão internacional e ao desembarcar no Brasil, Maria Augusta foi homenageada pelo heroísmo, não somente pelos oficiais ingleses do navio, mas também por seus conterrâneos.

Em 1874, Maria Augusta voltou ao internato no Colégio Brasileiro e entre suas leituras, a de uma jovem que estudava medicina em Nova Iorque, lhe chamou a atenção. Aquela era uma época em que as faculdades de Medicina não permitiam o ingresso de mulheres. Maria Augusta insistiu com o pai para estudar no exterior e, em 1875, partiu para Nova Iorque, onde requereu prestar exames na New York Medical College and Hospital for Women. O pedido foi indeferido porque os estatutos exigiam idade mínima de 18 anos para o ingresso na faculdade – ela tinha 16. Sem desanimar, Maria Augusta conseguiu expor para médicos, médicas e alunas da instituição os motivos que a levaram a cursar medicina. A jovem sensibilizou os membros da congregação, que autorizaram ela a participar dos exames. Foi aprovada com distinção e em 17 de outubro de 1876, matriculou-se no curso de medicina.

Durante seus estudos, a empresa de seu pai faliu e ele não tinha mais condições de mantê-la em Nova Iorque. O imperador D. Pedro II, que acompanhava a história da jovem brasileira, ordenou por meio de decreto, a constituição de uma bolsa suficiente para pagar a faculdade e cobrir os gastos gerais da estudante.

Maria Augusta concluiu o curso em 1879, mas novamente, teve problemas com a idade: tinha menos anos de vida do que o exigido pelos estatutos da faculdade para receber o diploma. Talvez inspirado na história da brasileira, D. Pedro II abriu neste ano as instituições de ensino superior às mulheres no país, iniciando assim o rompimento de um preconceito social de que as jovens que seguiam esse caminho ficavam sujeitas a pressões e a desaprovação social.

Segundo a biógrafa Yvonne Capuano, “Maria Augusta submeteu-se aos exames na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro para validar seu diploma, conforme determinava a Reforma de 1832. Não haveria obstáculos, pois estudara e estagiara o suficiente para não temer uma banca examinadora. Dominava quatro idiomas: inglês, francês, espanhol e alemão, e estava preparada para a arguição. Encontrou nessa ocasião, várias alunas matriculadas no curso de medicina, pois as portas do ensino haviam sido abertas em 1879 às jovens brasileiras. Sentiu-se gratificada pelo sacrifício e luta de anos, distante do Brasil”.

Parabéns a todas as mulheres!

Fontes: 
Academia de Medicina de São Paulo
Associação Brasileira de Mulheres Médicas
CFM – Demografia Médica Brasileira 
A ruptura do mundo masculino da medicina: médicas brasileiras no século XIX – Elisabeth Juliska Rago