SIMESC assina convênio que beneficia primeiro estudante indígena de Medicina da UFSC

Carl Lewis Cuzung Gakran, o primeiro indígena estudante de Medicina da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) assinou na tarde de terça-feira (04/12), convênio de cooperação com o SIMESC e receberá bolsa para auxiliar em sua formação em Florianópolis.

Membro do povo Xokleng/Laklano, de Ibirama, Carl Lewis está no terceiro semestre do curso e comenta que está se adaptando ao choque cultural. “A minha segunda língua é o português e isso torna mais desafiador ainda eu estar no curso e morando em uma cidade maior e tão diferente do que eu estou acostumado. Eu agradeço muito ao Sindicato por esta oportunidade e incentivo. Minha ideia é me formar e retornar para a minha localidade e lá aplicar os conhecimentos médicos aliados às plantas medicinais que meu povo já utiliza. Na minha aldeia não tem médicos e eu quero contribuir com a saúde deles”, destaca.

O termo de convênio prevê o pagamento de bolsa mensal até a formatura, no valor de R$ 500, que será repassado à Associação Amigos do Hospital Universitário (AAHU) e esta se responsabilizará pelo pagamento ao aluno, bem como, apresentar documentos do desempenho de Carl Lewis no curso de medicina.

“Em 2012 pudemos beneficiar o estudante de Medicina Lovensky Chaumette, que veio para o Brasil após a tragédia em seu país, o Haiti. O Sindicato tem essa missão também de auxílio humanitário e revertemos nossas forças no apoio a estudantes de Medicina, que temos certeza, serão profissionais de grande dedicação e empenho no retorno a suas origens”, destaca o presidente do SIMESC, Cyro Soncini.

A vice-presidente da AAHU, Ana Maria Faria Dutra lembrou que a Associação é uma facilitadora desse tipo de convênio. “Nosso trabalho é voltado à comunidade que precisa utilizar o HU e ali realizamos trabalhos dos mais diversos para contemplarmos nossos objetivos, incluindo reformas e estruturação do hospital. Ficamos muito contentes de participarmos desse convênio porque é o apoio e incentivo à formação de um profissional”.

De acordo com o vice-presidente do SIMESC, Leopoldo Back, “o Sindicato precisa abraçar essas causas. É uma forma de mostrarmos que buscamos pela igualdade de direitos e principalmente, queremos que o Carl Lewis tenha mais tranquilidade para poder realizar sua missão de estudar com sucesso”.

O secretário Geral do Sindicato, Roman León Gieburowski Júnior destaca o interesse pela medicina. “Ele soube identificar uma carência da comunidade onde foi criado e foi atrás. Isso nos dá a certeza de que estamos assinando um documento com fins de incentivo à formação profissional”.

Luiz Galvão, que intermediou a assinatura do convênio quando apresentou Carl Lewis ao SIMESC, destacou que outros estudantes são incentivados por instituições de suas áreas. “Temos 120 estudantes indígenas na UFSC e muitos estão também conseguindo convênios de apoio e incentivo ao estudo. Isso nos deixa muito satisfeitos porque é um olhar diferenciado da sociedade a quem está buscando sua profissão”.

Participaram da assinatura do convênio o advogado Erial Lopes de Haro, a jornalista Carla Cavalheiro, a coordenadora do Sindicato, Juliana da Silva e a esposa de Carl Lewis, Isabel Munduruku, indígena de aldeia no Amazonas e estudante de Fisioterapia na UFSC.

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